O que uma clinica de Recuperação

Só quem vive a experiência da convivência com um dependente químico sabe o quanto o dia a dia pode ser dramático, desgastante e triste.

A mistura de sentimentos que está envolvida consegue fazer muita gente ver sua saúde mental e física comprometida, além de notar a piora em outros relacionamentos e no rendimento escolar e do trabalho.

Apesar de todos os danos causados à vida dos parentes e pessoas mais próximas do dependente químico, é muito comum que essas pessoas não se sintam dignas de se priorizar a concentrar energia na melhora da própria vida e vivam em torno de descobrir como ajudar o dependente químico.

Muitas vezes, isso se dá por algum tipo de sentimento de culpa, que pode vir de si mesmo ou de palavras e atitudes do adicto.

Importa dizer que muitas pessoas viciadas, desenvolvem traços de caráter negativos, aprendendo de forma instintiva a mentir, trapacear, iludir e chantagear emocionalmente seus pais, filhos e outras pessoas que se envolvem com elas.

A necessidade de se manter em liberdade, com recursos financeiros e condição de fazer o uso de entorpecentes, faz com que o dependente crie estratégias para não ser pego e caso seja, não seja punido.

Esses jogos mentais enredam a família e fazem com que os parentes vivam cercados de ansiedade, preocupações e medo.

Na busca de ajudar o dependente químico a se curar, é comum que as famílias passem por vários processos que começam, geralmente, com brigas e discussões, tentando expor para o dependente os danos que ele está causando a si mesmo e aos outros, para tentar fazer um apelo emocional, capaz de fazê-lo recuperar o bom senso.

Infelizmente, esse método é quase 100% ineficaz e, geralmente, é responsável pela piora do relacionamento familiar, que pode muitas vezes se tornar insuportável, com cenas violentas e que causam muita mágoa e traumas, principalmente em crianças que convivem no ambiente.

Se você já está vivendo essa fase de brigas e discussões com o viciado e que ajudar seu familiar a abandonar o vício, pare imediatamente.

Imagine que você tem uma pessoa com pressão alta dentro de casa.

Brigar com ela ou fazê-la sentir-se mal, não vai fazer com que a hipertensão dela se cure e fique estabilizada.

A dependência química funciona da mesma forma e não são alguns gritos e ofensas que farão com que o viciado abandone o vício, pois trata-se de uma doença.

As consequências das brigas provavelmente serão:

·         Danos materiais como janelas, móveis, eletrodomésticos e eletrônicos quebrados por arremesso, socos ou outro tipo de comportamento violento;

·         Agressões domésticas causadas pelo dependente ou ao dependente;

·         Assassinatos ou tentativas de assassinato que podem acontecer em momentos em que o viciado esteja sem controle total das suas ações e emoções;

·         Autoviolência e automutilação, muito comum em alcoólatras e dependentes químicos quando estão se sentindo acuados e ameaçados;

·         Overdose, que pode ocorrer devido ao desespero do dependente e tentativa de sair daquela situação;

·         Afastamento do lar, que é quando o dependente químico decide ir morar na casa de amigos ou nas ruas, o que piora consideravelmente seu quadro de dependência e saúde e gera danos irreparáveis para a estrutura familiar.

Dito isso, tome a postura imediata de cessar qualquer tipo de comportamento que possa causar brigas entre vocês, se o seu desejo for fazer seu filho, pai, mãe, marido ou esposa parar de beber ou usar drogas.

Não confronte o dependente químico quando ele estiver drogado ou alcoolizado, não tente começar uma conversa na frente de pessoas com quem ele não tem intimidade, não dê indiretas e tente manter-se no controle da situação, visto que ele não tem condições de fazer isso.

Se você não entrou na fase das brigas, melhor ainda. Não entre e siga para a segunda etapa, que pode ter alguma eficiência:

Converse!

Chamar o dependente químico para uma conversa pode ser um bom começo para uma solução, mas tenha em mente que essa conversa só pode acontecer quando ele estiver completamente sóbrio.

Em alguns casos, o dependente ainda tem alguns momentos de sobriedade, seja quando acorda ou quando está no trabalho e isso possibilita que haja uma abordagem de diálogo.

É importante que o diálogo seja calmo, sem gritos, sem ofensas, de preferência que ambos estejam sentados e que, em nenhum momento, haja humilhação do dependente.

As coisas mais importantes a serem ditas nessa conversa é que ele tem pessoas que o amam ao seu redor e que pode ser ajudado de diversas formas.

Se o dependente negar que está usando drogas ou disser que tem controle sobre o uso e não está viciado, é interessante não entrar em uma briga e dizer a ele que é importante que ele faça um check-up de saúde, que passe pelo clínico geral e que isso é um procedimento comum, feito por todas as pessoas, anualmente.

Se conseguir persuadi-lo, tente ir com ele na consulta e peça para o Clínico Geral um encaminhamento para o psicólogo.

Explique para ele que fazer terapia é bom para qualquer pessoa e que você não está dizendo que ele é doente mental ou algo assim, mas que você quer que ele possa se abrir com alguém e que possa lidar melhor com as pessoas ao seu redor, porque o seu comportamento está sendo questionado por algumas pessoas e pode ser bom pra ele conseguir se auto afirmar diante de todos ou compreender onde estão seus pontos que devem ser melhorados.

Mantenha uma postura de apoio e companheirismo e se responsabilize por lembrá-lo sobre a primeira consulta e a ir com ele.

Crie uma recompensa para iniciar o tratamento com psicólogo

Geralmente, dependentes químicos rejeitam a ideia de acompanhamento com psicólogo e fazem de tudo para “esquecer” a data, então, fique atento e prepare algum tipo de recompensa para depois da consulta, seja um sorvete, um pastel ou um pequeno passeio para que ele se sinta um pouco mais motivado.

É comum que na primeira consulta com um psicólogo algum familiar ou amigo entre junto na sala do médico para dar segurança ao paciente.

Não fale nada durante a consulta.

Lembre-se que não é você que é o paciente.

Se houver algum momento em que você sinta que há espaço para isso, pergunte ao psicólogo se ele poderia fazer um encaminhamento para um psiquiatra e explique para quem está sendo atendido que isso é apenas para dar a ele um suporte caso seja necessário, principalmente para descobrir se ele possui algum quadro de depressão, ansiedade, bipolaridade ou síndrome do pânico.

Apesar de todo o trabalho envolvido, o cenário acima é um dos melhores de todos, que é quando a pessoa aceita ajuda, mesmo não admitindo que possui vício em drogas ou álcool.

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